Salve Saulo

por Leo Villanova
Matando minhas estagiárias de inveja e quebrando um jejum de algumas semanas sem pisar num teatro, fui ontem ao Acbeu ver o show de Saulo no projeto Musica Falada. Fui na expectativa de ver um Saulo bacana, cantor da banda Eva, parceiro de Ivete e pai de João. Vi um Saulo super bacana, cantor refinado, pai e amigo coruja.
Tímido, Saulo entrou com o violão, jeans e uma camiseta vermelha que trazia na frente as palavras “Poesia, Música, Voz, Coração e Amor”, e nas costas uma ilustração do filho João.
Apenas com o violão, abriu com músicas de Chico e Caetano, antes de começar a responder as perguntas inteligentes e bem humoradas da turma do Roda Baiana: Jonga, Fernando Guerreiro e Andrezão. Que, aliás, fazem parte do espetáculo.
Entre as falas, o repertório seguiu horas só voz e violão e horas baixo-bateria-teclado-sax. A banda era formada por quatro músicos da banda Eva que estão com Saulo há muito tempo. Deu pra perceber que são amigos de uma banda, mais do que uma banda de amigos. Jonga chegou a dizer “Vocês têm um pouco do clima dos Novos Baianos…” Destaque para o Fábio Ribeiro, violinista disfarçado de baterista. O Fábio, chamado de Binho, também é compositor de algumas música junto com Saulo e, no show, além da bateria tocou três músicas de autoria dos dois no violão.
O repertório surpreendeu ao trazer muita MPB, pouca axé music e músicas não conhecidas do cantor, mostrando um Saulo eclético e de boa memória ao lembrar de algumas letras e poemas que não estavam no roteiro. De improviso, lembrou um trecho dos Racionais MC’s e cantou Renato Russo.
Muitos flashs, celulares e câmeras digitais registraram tudo. Na frente, como não podia ser diferente, a tietagem e o fã-clube do artista. As meninas voltaram para casa mais esperançosas já que quando o assunto foi “Já ficou com fã?”, Saulo não escorregou. Disse que rola, sim, que é normal, e que pode acontecer, sem problemas.
Um dos momentos marcantes foi quando Andrezão provocou o assunto “morte”, citando o filósofo Nietzsche que dizia: “precisamos aprender a morrer”. Perguntado sobre o assunto, Saulo se emocionou lembrando do avô que tocava violão e, segundo ele, era bonito e “pegador”. Depois, se emocionou ainda mais, ao lembrar de Fafá, o Fabrício Scaldaferry, percussionisra da banda EVA, que morreu recentemente de meningite uma semana depois de gravar o DVD da banda.
O show mostrou um Saulo afinado, poeta, sensível, “relax”, e por que não dizer chorão, no melhor sentindo: o da emoção.
Foram duas horas que pareceram 20 minutos, com direito àquele “ohhhhhh” no final, igual ao que a platéia faz nas boas entrevistas de Jô. Uma noite agradável, um bate-papo divertido com um Saulo super à vontade num clima de poesia, música, voz, coração e amor.
2 comentários 31 de Outubro de 2007 às 13:12 Leo Villanova

